«O peso da navalha doía-lhe nos olhos. A carne da boca tinha a sua cor abafada pelo sangue. A sombra de todas as cores tapavam a sua própria sombra. As lágrimas negras acidavam-lhe o olhar e eram negras todas as coisas.
Ela levantou-se.
Era apenas uma rapariga comum. Uma rapariga de dezassete anos. Uma rapariga de dezassete anos comum.Custou-lhe levantar-se. Estranhamente, naquela manhã de nuvens encarnadas, a sua alma recusou-se a levantar-se com ela. A alma ficou deitada na cama, imóvel.
Cada passo por ela dado fazia com que as lágrimas fluissem para dentro dos olhos como se jamais tivessem nascido. Quando ela chegou à janela não havia vestigios de lágrimas. Chovia.Ela embaciara o vidro da janela com a sua respiração frouxa. A navalha ainda continuava nas suas mãos. Ambas olharam-se. Mas o olhar da navalha.. Aquele olhar... Fê-la cerrar os olhos num instante. E ela sentiu um medo enorme. O quarto estava escuro. Escuro.escuro. Achava que a sua vida era apenas um enfado,um enojo constante, uma batalha de sombras e cartas rasgadas, de compulsões internas, abalos,instabilidades,inseguranças e sentimentos difusos. Cada palavra era um golpe nas veias. Cada sorriso de outrem era uma gota de sangue nos seus lábios. Cada passo aumentava-lhe a sensação de abismo. A fraqueza de permanecer lutando. As trevas convidaram-na para a valsa. Ela estava a tentar, mas não sabia dançar.
Continuava a chover.
Ela duvidou. Não passaria aquela chuva de um delírio dos seus olhos. Não seria uma alucinação. Não seria uma visão morta, morta como ela sempre esteve?
Continuava a chover.
De facto ela era uma vítima do destino, uma vítima do acaso. A vida não era um lago de rosas. Tudo lhe era mau, cruel,vil,sombrio. Ela era uma lástima. Não lhe restavam forças.O peso das navalhas doía-lhe nos olhos. Doía-lhe no sangue. Não ousou continuar.
Era mais um texto estúpido. Mais um texto saído do seu punho.Mais uma reflexão filosófica da sua vida. Eram apenas palavras que expressavam a sua opinião.
Ela não conseguia evitar. Fazia parte dela. A caneta era como uma navalha. Ela tinha que escrever um trabalho para Literatura.
Era mais um dos seus textos sombrios e obscuros., só que desta vez, não era escrito por ela.»
Por BRUNO AMARANTE.
Obrigada Bruno..adorei a minha ''história'' exposta dessa maneira.És um grande amigo, deveras.
Eu prometo cumprir aquilo que me pediste (que toda gente me pediu..).
Espero não desiludir.. espero chegar até aí.
Beijo.
Spaceblog,Obrigada pelas visitas.
Textos novos em breve.
Por MundoIncolor

