Home Data de criação : 08/07/02 Última atualização : 08/11/17 23:09 / 24 Artigos publicados
 

Momentos de covardia  escrito em segunda 17 novembro 2008 23:09

«O peso da navalha doía-lhe nos olhos. A carne da boca tinha a sua cor abafada pelo sangue. A sombra de todas as cores tapavam a sua própria sombra. As lágrimas negras acidavam-lhe o olhar e eram negras todas as coisas.

Ela levantou-se.

Era apenas uma rapariga comum. Uma rapariga de dezassete anos. Uma rapariga de dezassete anos comum.Custou-lhe levantar-se. Estranhamente, naquela manhã de nuvens encarnadas, a sua alma recusou-se a levantar-se com ela. A alma ficou deitada na cama, imóvel.

Cada passo por ela dado fazia com que as lágrimas fluissem para dentro dos olhos como se jamais tivessem nascido. Quando ela chegou à janela não havia vestigios de lágrimas. Chovia.Ela embaciara o vidro da janela com a sua respiração frouxa. A navalha ainda continuava nas suas mãos. Ambas olharam-se. Mas o olhar da navalha.. Aquele olhar... Fê-la cerrar os olhos num instante. E ela sentiu um medo enorme. O quarto estava escuro. Escuro.escuro. Achava que a sua vida era apenas um enfado,um enojo constante, uma batalha de sombras e cartas rasgadas, de compulsões internas, abalos,instabilidades,inseguranças e sentimentos difusos. Cada palavra era um golpe nas veias. Cada sorriso de outrem era uma gota de sangue nos seus lábios. Cada passo aumentava-lhe a sensação de abismo. A fraqueza de permanecer lutando. As trevas convidaram-na para a valsa. Ela estava a tentar, mas não sabia dançar.

Continuava a chover.

Ela duvidou. Não passaria aquela chuva de um delírio dos seus olhos. Não seria uma alucinação. Não seria uma visão morta, morta como ela sempre esteve?

Continuava a chover.

De facto ela era uma vítima do destino, uma vítima do acaso. A vida não era um lago de rosas. Tudo lhe era mau, cruel,vil,sombrio. Ela era uma lástima. Não lhe restavam forças.O peso das navalhas doía-lhe nos olhos. Doía-lhe no sangue. Não ousou continuar.

Era mais um texto estúpido. Mais um texto saído do seu punho.Mais uma reflexão filosófica da sua vida. Eram apenas palavras que expressavam a sua opinião.

Ela não conseguia evitar. Fazia parte dela. A caneta era como uma navalha. Ela tinha que escrever um trabalho para Literatura.

Era mais um dos seus textos sombrios e obscuros., só que desta vez, não era escrito por ela.»

 

 

                                                              Por BRUNO AMARANTE.

 

 

 

 

Obrigada Bruno..adorei a minha ''história'' exposta dessa maneira.És um grande amigo, deveras.

Eu prometo cumprir aquilo que me pediste (que toda gente me pediu..).

Espero não desiludir.. espero chegar até aí.

Beijo.

 

 

 

 

 

 

 

 



Spaceblog,Obrigada pelas visitas.

Textos novos em breve.

 

 

 

 

                                                                                      Por MundoIncolor{#}

 

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Actos de covardia  escrito em sexta 07 novembro 2008 22:50

 

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Há um coro de anjos da Morte.

Ninguém a viu. Não passa de uma alusão..um desejo, para mim.

Tu não entendes..eles não entendem.. ninguém entende, a não ser eu.

Mas eu digo-te que.. se Ela me levar e não conseguir dizer um último adeus, não te zangues.. recorda-me como uma chama que é tua, que viveu na agonia e no desespero. Doentio amor que mata aos bocados, que esgota a alma e confunde os pensamentos.

Não, não fiques triste.. vai ser só mais uma alma a libertar-se.. a encontrar o que alguns já encontraram.

Cheia de medo, sem raciocínio lógico.. caminho devagar. Lágrimas sangrentas a percorrerem o meu rosto.. a aliviarem as feridas dos meus lábios.

Cicatrizes do passado a ganharem vida.. Meias palavras soletradas na perfeição.

Corvos a alimentarem-se da minha alma, minha dor.

Eu imune, de faca na mão, a trespassar meu coração vazio.. doente e gelado. Matar o que já morreu..Pensamentos mórbidos que nascem.. inquietações e lutas constantes. Acabou! Há um final por descobrir.

A covardia continua a encher os meus actos. Os meus olhos vermelhos e dilatados choram o sangue de outrem. O sangue da pessoa que não conheço.. mas que no entanto vive em mim. A pessoa com a qual me surpreendo a cada dia que passa.. A alma que não quer ganhar asas.. que teima em ficar com ela.

O meu rosto sangrento reflectido no espelho da faca.. meu corpo a tremer..Vozes a perderem-se no ar..Cadáveres por todo lado. Na minha cabeça, eles puxam-me pela mão.. chamam-me e acariciam a minha face com sangue puro. Movimentos bruscos aos olhos dos outros. Desespero no meu interior.

Só eu sei, eles não.

 Eu quero ser covarde. Quero deixar de ver a luz.. Abandonar a chama que sempre me protegeu. ..Ela . não me deixa.

E do nada, solto um grito e deixo cair a faca.

Uma visão das suas cores deu-me forças.

O seu calor..o seu brilho..o fascínio que transborda no meu interior quando a vejo, a sinto..toco e acabo por me queimar.

Haverá mais momentos de covardia.. mais momentos de desespero.

Vivemos no cancro enorme que é a vida.

Mas tu… tu não fiques triste.

A chama continua acesa.. mas chegará a minha hora.

 

 

 

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O incompreensível  escrito em sexta 17 outubro 2008 22:54

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Não há começo nem meio nem fim.. Tudo se passou noutra vida, noutro espaço, noutra dimensão. Coisas bonitas,poucas, mas houveram. Coisas más..bastantes. Cada momento tem o seu sentimento. Mas um só sentimento engloba esse delírio de sentidos; o medo! Tenho medo da vida.. tenho horror a tudo que me rodeia. Odeio pensar em morrer, mas contudo, não tenho medo a morte. Vejo-a como um escape, uma liberdade que nunca tive.. um escape ao medo, tendo medo à mesma. O mundo não passa de um baile de máscaras, uma farsa.. um sítio hipócrita onde toda gente se acha mais do que aquilo que é na realidade. Tenho medo da desilusão .. já que confio demais nas pessoas. Tenho medo as pessoas porque me espanto a cada dia que passa com o ego que as torna fúteis e bizarras; banais.

Horrorizo-me com a ideia de viver tudo o que já vivi.. mas se vivesse de novo, sei que já não haveria salvamento. Só uma vez na vida dão-nos uma segunda oportunidade de viver.. se a desperdiçar-mos, voltaremos ao mesmo buraco negro onde me encontrava, até há pouco tempo. Vivo para o amor, incondicionalmente. Vivo para ele, porque assim jurei.

O presente.. esse.. o que é o Presente?

O presente é uma fracção de segundo. O ultimo ponto que meti antes de ‘segundo’ já é passado. O presente não existe.. só existe Passado e Futuro! Alimento-me de sonhos para ter esperanças .. pois «essa é ultima a morrer» , dizem alguns. Eu não acho!

A esperança já morreu.. os sonhos morrem depois, nem que seja num só instante. Basta um milésimo de segundo para acabar com um sonho. Basta dizer «acabou» para o destruir.. No fundo, a vida é uma partida, que a cada dia que passa nos põe a prova.. faz-nos ir além das nossas capacidades.. dá-nos o prazer de dizer «eu consegui ultrapassar isto!», para nos tornar-mos mais fortes.

A agressão verbal magoa muito mais do que a agressão física.. mas a agressão física provoca traumas.. provoca medo e instabilidade.

Tenho a certeza de que só um sonho há-de –se  concretizar. O sonho de morrer por amor. Morrer a recordar os seus lábios, morrer a voar nos seus olhos.

É doença, sim, eu sei! A pior doença.. a mais louca de todas :a vida! Como dizia Sá Carneiro «o cancro enorme – a vida».

Alimento o meu amor com frases curtas.. conversações de minutos. Uma voz a km de distância. Basta-me.. basta-me saber que está bem para esboçar um sorriso. Dou por mim a rir quando me diz que me ama. É felicidade! 5 letras são o suficiente para ganhar o dia. Contudo, preciso de carinho e atenção para me sentir segura, protegida. Viveres em mim basta-me para viver, ter-te é felicidade. Sou feliz apenas porque encontrei o que queria. Agradeço-te todos os dias por existires, por seres real. Se não me consegues compreender.. não o tentes fazer! Eu farei os impossíveis para lidar com o desespero constante. Com o amor, das varias maneiras que ele se mostra. O amor és tu.

Não é disfarce, nem fachada.. não é impossível. Eu amo sem coração; venero sem ver; desejo sem tocar!

Se agora se estão a rir.. riam, faz falta.

Para sempre serei uma miúda que tem medo do que tem «vida» , do que é «belo» aos olhos dos outros.

Criança ou não, toquei no meu fundo.. vi-lo a evaporar-se. Ficou sem vida e renasceu num segundo.

Contudo.. as feridas ficam, as memorias também.

Passou-se noutra vida, noutro espaço, noutra dimensão.. mas eu estive lá!

« O rio passa.. mas as pedras ficam»

Quem disse que na tristeza não existe poesia, estava enganado.. nas lágrimas, o amor ganha pureza.

 


                                                           Por MundoIncolor{#}
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Alma minha  escrito em quinta 02 outubro 2008 11:50

Não.. não está cá.

Vejo, sinto, toco, procuro, desespero, não encontro.Respiro, torturo, desfaço, rasgo;.. é um vazio.

É um vazio cheio de teias de aranha; cheio de dor e mágoa; cheio de inquietações e aflições.

Noites em branco.. rio de lágrimas que esse lugar vazio já chorou. Pisaram, gozaram..usaram..incendiaram, rasgaram, desfez-se, morreu e apodreceu..Desapareceu!

Errei..eles também erraram.

Amei.. alguns também amaram.

Agora, estou na rua do infinito. Na noite preta, sem velas e sem arco-íris cinzento. A rua da solidão.. aquela rua habitada só pelas almas sem coração. Está frio.. gelado!Escuro!

Um forte arrepio caminha sobre o meu corpo. A lágrima preta escorrega na minha face sem eu dar por ela.  Caminho devagar. Sem sentido. Não há almas à vista, nem anjos a olharem por mim. Não há quem me salve. Não há quem chore a minha morte.

Só há céu preto, rua infinita, alma e a minha dor.

Não chores por mim.. eu já chorei demais.

Não me tentes salvar.. eles já me prenderam.

O lugar vazio permanece.. a lágrima preta também.

 

 


Este texto foi escrito há 3 anos atrás..encontrei-o por acaso.

Desculpem a demora.. mas tenho andado com falta de inspiração.

Estou feliz.

Sinto,toco,amo.

 

 

 

 

 

 

                                                                                Por MundoIncolor{#}

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O sonho  escrito em domingo 14 setembro 2008 18:25

         Um dia sonhei com o amor perfeito..

Com aquele 'E viveram felizes para sempre..' dos contos de fadas.. com principes e princesas.. Iludi-me com a esperança de que um dia, a pessoa amada me poderá dar a lua nos braços.

Magoei-me demais com desgostos de amor.. magoei-me de tal forma que, para me entregar a alguém, preciso de ter a certeza absoluta de que não será só mais um..só mais um desgosto, mais uma desilusão.

Foi há pouco tempo..que comecei a viver um sonho.. foi há pouco tempo que conheci a pessoa que mais amo neste mundo. Quando estou a sua beira eu estremeço,fico nervosa que só me apetece olhar o chão.. fico envergonhada com o seu toque..Arrepio-me com os seus beijos..com as suas palavras carinhosas.. com a sua maneira de ser.

Não sei se estou certa .. não sei se faço bem as coisas.. nem sei sequer o que estou a fazer.. Só sei que és a pessoa mais importante deste mundo..és aquele que me completa.. que me faz feliz!A pessoa que tem o poder de me deixar sem jeito cada vez que me toca.. a pessoa que me dá aquele friozinho na barriga quando me abraça.. a pessoa que me faz voar sempre que diz o que sente..

És aquele ser humano que eu procurava.. , aquele raio de luz que ilumina o meu mundo.. É por ti que eu vivo.. é a ti que eu quero.. e é por aquilo que és, que eu estou perdidamente apaixonada.

Não quero acordar deste sonho..nem quero promessas que não podem ser cumpridas.. apenas te desejo por completo, quero que faças parte de mim, da minha vida!

Dói quando acordo e não te posso abraçar..

Dói quando adormeço sem um beijo teu..

Morro de saudades do teu toque..

Do teu cheiro, do teu olhar.. saudades de te dar a mão.. de te apertar nos braços..de te dizer que te amo.

Eu quero voltar a viver, ao teu lado.. contigo!

É desta maneira estranha, irracional e mal pensada que me entrego a ti.. que te entrego o lugar vazio que tenho do lado esquerdo, aquele lugar que tu preenches, aquele lugar só teu.

Tinha que te dizer o que sinto.. já que muitas vezes te deixei sem certezas.. .

.                                       És o meu tudo, meu anjo.

 

 

Amo-te  Chaz.

 

 

                                                                                         Por MundoIncolor{#}

 

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